Psicoterapia

O que é Psicoterapia, o que ela faz e para quem é indicada?

1 – SE CONHECER MELHOR:

O primeiro passo para qualquer mudança psicológica é o auto- conhecimento. Não podemos melhorar a nossa vida ou o nosso comportamento se não nos conhecemos bem.

A maioria de nós paira num estado de semiconsciência.
“Não sei por que fui para a cama com Daniel”. Ou: “Não por que não consigo chegar na hora”. Noventa e nove por cento das vezes isso não tem importância, mas em certas áreas da vida pode causar muita dor e arrependimento.
Marta 23 anos, conta: “Eu comia sem parar. Aí jurava que nunca mais faria isso, e acabava caindo na primeira tentação. Quando resolvi me tratar, me pediram para manter um diário. Vi que comia sempre que estava brava. Agora busco outras maneiras de liberar minhas raivas.”

Seja o seu próprio Sherlock Holmes. É interessante começar a perceber certos padrões, certas atitudes que você sempre repete em determinadas situações. As revelações podem ser profundas, como: “Todos os meus namorados eram mulherengos – exatamente como meu pai”. Ou corriqueiras, como “Só fico de pileque depois do sexto copo de vinho.” Quando perceber qual a situação ou com que pessoa ou em que estado emocional você faz aquilo que tanto a incomoda, estará apta a escolher outra alternativa.

2 – ASSUMIR A RESPONSABILIDADE:

Muitas pessoas passam o começo da terapia reclamando.
“Ele fez isso, depois fez aquilo…”É altamente catártico ( embora dê para fazer o mesmo, de graça, com seus amigos)

Mas em algum ponto o terapeuta vai interferir e mostrar que você só está falando do outro. E como você se sente? Qual a sua parte nessa história? Uma coisa que a terapia ensina é que você não pode mudar a outra pessoa, só a si mesma. Carlos, 27 anos, foi fazer terapia de casal. “Comecei a sessão dizendo que minha esposa trabalhava dia e noite e que isso me irritava muito. A terapeuta disse: E o que você faz a respeito? Conta a ela que está brava? Fiquei de queixo caído. Por que ela estava me perguntando isso? Por que não a recriminava pelo fato de ser um workaholic? Ela respondeu que eu me sentia mal com a situação, não ela; então, eu teria que encontrar uma forma de lidar com o fato.”

Outra verdade – cruel – para quem está empenhada em mudar é que somos responsáveis por absolutamente tudo o que nos acontece na vida. Então, se o seu namorado ou namorada o maltrata, é porque você está permitindo.

3 – DEMARCAR AS FRONTEIRAS:

Esse conceito básico de qualquer terapia não é muito falado fora dos consultórios. Fronteiras são os seus limites individuais. Quanto de energia vai dedicar alguém ou alguma coisa; quanto de aborrecimento vai aturar até fincar o pé. A maioria de nós te alguns buracos na cerca. Todas sabemos o espaço que nosso corpo ocupa e temo plena consciência quando ele é invadido. Mas quando chega no emocional, acabamos deixando os outros nos pisotearem por medo de dizer: não obrigada, assim eu não quero.

Lisa 30 anos, descobriu que dava passe livre para os homens. Não definia os territórios. “Há cinco anos, eu dormia com qualquer um. E me sentia péssima, mas nunca me ocorreu dar um mergulho em mim mesma para ver porque fazia isso. Só parei quando me envolvi num relacionamento sério. Mas, mesmo assim, eu era passiva, só fazia o que o meu namorado queria. Quando o romance acabou, resolvi fazer terapia. Só então descobri que, inconscientemente, acreditava que devia fazer tudo o que os homens me pediam. Isso explicou muita coisa.”

Num relacionamento, a falta de limites claros pode criar problemas. Observar as suas fronteiras é mais uma forma de se autoconhecer. Enquanto não souber quem é e o que quer, será impossível saber o que é certo para você e o que não é. Não conseguirá Ter um relacionamento saudável, pois não saberá onde você termina e o outro começa.

4 – SER A SUA PRIORIDADE:

Quando a pessoa começa a assumir a responsabilidade sobre a própria vida e a firmar suas barreiras, as más-línguas vão dizer que você está ficando muito egoísta. Graças a Deus!

A terapia encoraja justamente isso: se olhar, se cuidar, agir em seu favor, fazer as coisas que a agradam, saber eu tem direito de pedir o que deseja e de ter o que precisa.

Historicamente, as mulheres cuidam dos outros antes de olhar para si. Em geral, somos tão boas nisso que nem sabemos quais são as nossas próprias necessidades. E, de tanto nos colocarmos em segundo plano, acabamos com a auto- estima no pé. Deprimidas e exaustas.

Michele, 32 anos, diz que a terapia lhe deu licença para se cuidar. “Fui educada para ser uma boa menina. Isso significava ajudar os outros e nunca dizer não. Aí comecei a trabalhar e vi que isso não dava certo, pois virei o capacho da firma. Então procurei ajuda. Parece bobagem, mas a idéia de que eu podia ser do meu jeito foi uma revelação. Quando comecei a me levantar; a firmar minha posição na vida, minha mãe surtou. Ela disse que tinha me transformado numa péssima filha.” O que acontece é que, na terapia, você começa a se ver de forma diferente – como gostaria de ser, e não como os outros querem que você seja. E isso pode deixar algumas pessoas realmente aborrecidas. Mas com o tempo passa.

5 – AGIR COM MATURIDADE:

Até agora tudo bem. No entanto, existe uma maneira errada de assumir responsabilidade, estabelecer limites e pensar primeiro em si.

Por exemplo, bater o pé e gritar: “Vocês todos foram horríveis comigo; então, agora só farei o que quiser.” Ou: “Você vive se aproveitando de mim. Nunca mais farei nada para você.”

Essas declarações não são adultas, não têm nível.
É tentador cair naquilo que os terapeutas chamam de papel de vítima – principalmente quando as coisas não vão lá muito bem para você. Existe uma teoria de que todas as pessoas assumem um desses papéis: o da vítima, o do perseguidor ou o do salvador ( alguém que compulsivamente socorre os outros), todas as três posições estressantes e manipuladoras. O ideal seria a pessoa conquistar um nível mais adulto.

6 – CONHECER SEUS SENTIMENTOS:

Fazer terapia é entrar em contato com os seus sentimentos. A emoção é a ponte que liga o pensamento e as coisas puramente físicas. A cabeça com o corpo. Por exemplo, não existe nada como a ansiedade para atacar o estômago. Ela afeta principalmente os nossos relacionamentos.

Alguns sentimentos são maravilhosos, outros são dolorosos; por isso, é tentador ignorá-los. Mas sentimentos deixados de lado tendem a voltar à tona sem aviso prévio.

De repente aparecem como depressão, desordens alimentares, vícios e as mais variadas doenças.
Leila, 29 anos, conta o seu problema. “Até os 25 anos, não me permitia ter emoção alguma.

Aí meu pai morreu e continuei sem sentir nada, mas entrei em depressão. Fui para a terapia e comecei a Ter sentimentos! Olha, nunca é tão ruim quanto a gente imagina. Pensava que, se começasse a chorar não pararia nunca mais; que, se ficasse com raiva, perderia o controle. Mas nada disso aconteceu. Simplesmente acabei me sentindo mais viva. Mais inteira.”

7 – DIMINUIR A AUTO-CRÍTICA:

Imagino que, a essa altura, muitas mulheres estão pensando: “Sou eu!
Estou andando em círculos, não assumo a responsabilidade sobre a minha vida, não sei dar limite…”Elas são muito críticas. O resto de nós é um pouco mais condescendente.

A crítica interna é aquela vózinha íntima que nunca está satisfeita. Vive repetindo que você não é boa ou inteligente ou magra ou educada o suficiente para ser alguém de valor. E ela pode realmente atrapalhar a sua vida. Suzana, 31 anos, que o diga.

“Deixei de fazer muita coisa porque cismava que não era capaz. Gastei muita energia me queixando. Ganhei belas rugas de tanto me preocupar em ser sempre mais, mais e mais.”

De onde vem tanta exigência? A teoria é que guardamos essas expectativas de nossos pais, da escola, da sociedade, ainda bem cedo na vida. Reservamos esses valores lá no fundo da nossa mente para que eles nos coloquem para baixo na primeira vez que tentarmos realizar alguma coisa .
Novamente, a solução é o autoconhecimento. Sabendo dessa tendência, podemos começar a controlá-la.

line
footer